Blogue
Eu descobri por que meus Relacionamentos continuavam Falhando.Eu descobri por que meus Relacionamentos continuavam Falhando.">

Eu descobri por que meus Relacionamentos continuavam Falhando.

Irina Zhuravleva
por 
Irina Zhuravleva, 
 Matador de almas
7 minutos de leitura
Blogue
Novembro 05, 2025

Eu não tinha esse conhecimento, e essa ignorância destruiu a minha relação — a tua vai continuar a deteriorar-se a menos que escolhas aprender o que é realmente preciso para sobreviver. No cerne dessa sobrevivência está a confiança: uma sensação constante de que o teu parceiro te apoia e que podes depender dele emocional, física e sexualmente. A confiança não é um ato único; é construída mostrando-te consistentemente, não só nos momentos dramáticos, mas nas pequenas coisas do dia a dia. Se algo é importante para ti, um parceiro amoroso trata-o como importante — não porque é importante para ele, mas porque tu és importante para ele. A confiança só funciona quando é mútua; ambas as pessoas têm de a sentir para que a relação prospere. Então, o que ajuda a confiança a crescer? Grande parte disso resume-se a como lidam com o conflito juntos: ouvir, manter a curiosidade, mostrar empatia e esforçar-se para compreender, assumir os erros e pedir desculpa. A forma como comunicam muitas vezes decide se te sentes visto e valorizado. Se um ou ambos os parceiros são constantemente ignorados, desrespeitados, atacados, invalidados, ridicularizados ou menosprezados, não importa quem tem “mais razão” — a relação carece de confiança e torna-se insustentável. Podem permanecer legalmente casados — muitos casais fazem-no — enquanto a certidão de casamento permanece intacta, mas a relação real pode ter morrido anos antes porque não havia alicerces: sem confiança, intimidade, amizade, consideração, ponderação, respeito, bondade, calor, responsabilidade ou altruísmo. Estas qualidades não são extras para adicionar se houver tempo; são os pilares que determinam se a tua relação se mantém de pé ou desmorona. Recebo tantas mensagens que se resumem a “o meu parceiro não vai fazer essas coisas; eles não acreditam que sejam importantes”. Isso é devastador, e imagino que sintas as paredes da tua relação a começarem a desmoronar-se. Esse caminho leva à ocupação, negligência não intencional, preguiça emocional, repetir as mesmas discussões, comportamento egoísta, arrogância, uma obsessão em ter razão e uma falta de vontade de autorreflexão. Tudo isso tem um ponto final previsível: a morte da relação. A maioria de nós — e particularmente muitos homens — não pretende esse resultado, mas, como eu, podes ser surpreendido quando lá chegas. Queres saber por que razão cerca de metade dos casamentos termina e por que razão muitos dos que permanecem são infelizes? Porque demasiadas pessoas não estão equipadas para manter uma parceria saudável. A evitação não te levará lá: fugir dos problemas, evitar conversas difíceis e ignorar os sentimentos do teu parceiro mina sempre a conexão. Nem a agradar às pessoas, nem a falta de auto-respeito maduro. Estar aterrorizado para definir limites ou para manter padrões sobre o que vais e não vais aceitar garante que acabarás por te sentir negligenciado, ignorado e invalidado. Por que razão recorremos automaticamente à evitação ou a agradar às pessoas? Medo — medo de nos mostrarmos como somos realmente. Muitos de nós não fizeram o trabalho de compreender quem somos e o que precisamos para nos sentirmos amados e valorizados. Raramente nos foi ensinado o que duas pessoas devem dar para que uma relação tenha sucesso. Quando as coisas desmoronam, agarramo-nos a padrões imaturos e instintivamente culpamos a outra pessoa. Então, aqui está o que precisa de mudar: para de reencetar as mesmas batalhas. Para de apontar o dedo. Dá um passo atrás e avalia a relação na sua totalidade — identifica o que está em falta. Mereces intimidade, amizade e a sensação de que podes confiar no teu parceiro; esses não são luxos, são a base. E, por favor, fala com um profissional. Eu ainda não sou um coach ou um conselheiro, então não te posso indicar um praticante específico, mas encontra alguém com quem te sintas confortável e começa a ter essas conversas. Tu e a tua relação merecem respeito, bondade e cuidado. Base.

Passos úteis e práticos para começar a reparar ou fortalecer a sua relação:

1) Façam um inventário partilhado curto. Uma vez por semana, cada parceiro lista 3 coisas que a relação fez bem e 3 coisas de que precisa. Leiam-nas em voz alta sem se defenderem. O objetivo é informação, não discussão.

2) Reconstruir a micro-confiança com consistência. Pequenas promessas cumpridas importam: retornar uma chamada, ser pontual, cumprir tarefas, aparecer para o tempo agendado em conjunto. A micro-confiança acumula-se numa segurança maior.

3) Pratique um guião de conflito neutro. Quando as coisas aquecem, experimente esta sequência: (a) Faça uma pausa e diga “Preciso de um momento,” (b) Nomeie a emoção: “Estou a sentir-me magoado/irritado/sobrecarregado,” (c) Use um início suave: “Quando o X aconteceu, senti-me Y. Podemos falar sobre isso?” e (d) Faça uma pergunta de esclarecimento antes de se defender: “Ajuda-me a perceber o que querias dizer.” Isto reduz a escalada e aumenta a curiosidade.

4) Aprenda e use a escuta ativa. Reflita sobre o que ouviu antes de responder: “O que estou a entender é… É isso mesmo?” Valide o sentimento mesmo que discorde da interpretação: “Percebo porque é que isso te magoou.” A validação não significa concordância - significa reconhecer a experiência do outro.

5) Definam e comuniquem limites claros. Definam que comportamentos são aceitáveis, quais não são e quais as consequências que se seguirão. Os limites são atos de autorrespeito e clareza — reduzem o ressentimento passivo. Exponham-nos calmamente e de forma consistente, e permitam que o vosso parceiro faça o mesmo.

6) Prioritizem a intimidade regular e a manutenção da amizade. Agendem tempo juntos sem pressão (uma caminhada semanal, um jantar sem telemóveis, um check-in de 10 minutos). A amizade é o substrato do romance e da resolução estável de conflitos.

7) Assuma e repare os danos rapidamente. Um pedido de desculpas genuíno tem quatro partes: reconhecer a dor, assumir a responsabilidade, expressar arrependimento e indicar o que fará de diferente. Depois, atue de forma consistente.

8) Faça trabalho pessoal. Confiança e padrões saudáveis exigem autoconsciência. Registe num diário respostas a perguntas como “O que preciso para me sentir amado?” e “O que me desencadeia e porquê?”. Considere terapia individual para abordar padrões que danificam repetidamente as ligações (feridas de vinculação, trauma, vergonha).

9) Utilize experiências concretas. Se o seu parceiro duvida que algo é importante para si, convide-o para uma experiência de 30 dias: você pede um comportamento específico, ele tenta-o, e ambos avaliam os resultados. A mudança real é demonstrada através de atos repetidos e observáveis.

10) Saiba quando recorrer a ajuda profissional. Se os ciclos de dano se repetem apesar de esforços sinceros, se houver desprezo persistente, abuso emocional, dependência ou preocupações com a segurança, procure um terapeuta de casais licenciado. A terapia não é um sinal de fracasso — é uma ferramenta para aprender as competências que os casais muitas vezes nunca aprendem.

Exercícios rápidos que pode experimentar hoje à noite:

– Os 5 minutos de apreciação: cada parceiro nomeia três coisas que apreciou no outro nesse dia. Sem defensividade, apenas gratidão.

- Os 5 minutos de reconhecimento: cada parceiro nomeia três coisas que apreciou no outro nesse dia. Sem atitudes defensivas, apenas gratidão.

– O guião “o que eu preciso”: cada pessoa completa a frase duas vezes — “Eu preciso que tu… (uma necessidade emocional)” e “Eu preciso que tu… (uma necessidade prática).” Sejam específicos e exequíveis.

– Um plano de arrefecimento: acordem numa frase de pausa e num período de tempo para retomar a conversa (p. ex., “Tempo de pausa”, retomar em 30–60 minutos). Usem esse tempo para se acalmarem e prepararem para falar das necessidades em vez de culparem.

Sinais de que uma relação precisa de atenção séria (além de “estamos estagnados”): desprezo repetido ou linguagem depreciativa, obstrução ou afastamento crónico, falta de intimidade sexual ou emocional por longos períodos, um dos parceiros sentir-se cronicamente inseguro ou controlado, padrões de mentira ou ocultação. Estes justificam uma intervenção precoce com um profissional.

Nota final: a mudança ocorre com passos pequenos e firmes e auto-reflexão honesta. Não confine o crescimento a momentos dramáticos; tome decisões diárias que provem que é fiável, compassivo e com vontade de aprender. Se ambas as pessoas se comprometerem com curiosidade, responsabilidade e gentileza, dão à relação uma hipótese de sucesso. Se apenas uma pessoa mudar, ainda assim ganha clareza sobre o que merece e se a relação pode satisfazer essas necessidades.

O que é que acha?